{"id":31935,"date":"2023-12-12T17:03:22","date_gmt":"2023-12-12T16:03:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.racba.org\/academic\/falcao-jose-antonio-2\/"},"modified":"2023-12-12T17:03:22","modified_gmt":"2023-12-12T16:03:22","slug":"falcao-jose-antonio-2","status":"publish","type":"academic","link":"https:\/\/www.racba.org\/en\/academic\/falcao-jose-antonio-2\/","title":{"rendered":"Falcao, Jos\u00e9 Ant\u00f3nio"},"content":{"rendered":"<p>Nome completo Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Nunes Mexia Beja da Costa Falc\u00e3o. Nasceu em Lisboa, mas \u00e9 um alentejano dos quatro costados. Descendente de velhas fam\u00edlias do Alentejo, est\u00e1 unido por la\u00e7os de sangue a vultos que marcaram a hist\u00f3ria nacional. Entre eles cabe referir Diogo Fernandes de Beja (Beja, ? \u2013 Chaul, 1551), diplomata e guerreiro na \u00cdndia durante a primeira metade do s\u00e9culo XVI; Jo\u00e3o Cidade (Montemor-o-Novo, 1495 \u2013 Granada, 1550), o futuro S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, fundador da Ordem Hospitaleira; e D. Fr. Amador Arraes (Beja, 1530 \u2013 Coimbra, 1600), bispo de Portalegre e autor de &#8220;Di\u00e1logos&#8221; [1589], um cl\u00e1ssico da literatura portuguesa.<br \/>\nBras\u00e3o de armas de Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Falc\u00e3o, por Jos\u00e9 B\u00e9nard Guedes, secret\u00e1rio-geral do Instituto Portugu\u00eas de Her\u00e1ldica (2010).<br \/>\nDeposit\u00e1rio de not\u00e1vel cursus studiorum \u2013licenciado em Hist\u00f3ria da Arte e em Arquitectura, mestre em Museologia e doutor em Teoria e Hist\u00f3ria da Arquitectura\u2013, orientou desde cedo as suas actividades para os dom\u00ednios da investiga\u00e7\u00e3o e da conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural. Como bolseiro da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian especializou-se no campo da arte sacra, tendo sido disc\u00edpulo de mestres de elei\u00e7\u00e3o, entre os quais os professores Pere de Palol e Santiago Sebasti\u00e1n, cujos ensinamentos o levaram a dedicar-se aos dom\u00ednios da arquitectura religiosa e da iconografia crist\u00e3. Optou pela carreira nos museus, realizando o est\u00e1gio no Museo Nacional de Cer\u00e1mica y de las Artes Suntuarias, de Val\u00eancia (Espanha). Viria a completar o tiroc\u00ednio profissional em museus e centros de investiga\u00e7\u00e3o europeus e americanos.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da profiss\u00e3o museol\u00f3gica, foi conservador (1993-1995) e director (2003-2008) da Casa dos Patudos, em Alpiar\u00e7a. Exerceu igualmente fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas no Museu de \u00c9vora e no Museu Calouste Gulbenkian. Organizou a rede museol\u00f3gica da Diocese de Beja, com sete p\u00f3los (Santiago do Cac\u00e9m, Cuba, Castro Verde, Moura, Sines e Beja). Possui a categoria de conservador-chefe de museus.<br \/>\nO seu principal campo de ac\u00e7\u00e3o tem sido no Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, que dirige desde a funda\u00e7\u00e3o, em 1984, e ajudou a tornar um organismo de refer\u00eancia, ao n\u00edvel nacional e internacional, para o estudo, a salvaguarda e a valoriza\u00e7\u00e3o dos bens culturais religiosos.<br \/>\nDurante os tempos conturbados que se seguiram \u00e0 \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cravos\u201d, Beja, a segunda diocese do pa\u00eds em extens\u00e3o, mas tamb\u00e9m a mais despovoada, n\u00e3o dispunha de meios para acudir aos seus monumentos e obras de arte, alvo de abandono e furtos. Trabalhando em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, o Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico, constitu\u00eddo essencialmente por volunt\u00e1rios, p\u00f4s em marcha um projecto pioneiro para o resgate da arte sacra.<br \/>\nIsto permitiu dar passos fundamentais para preservar e dar nova vida a \u00e1reas sens\u00edveis da identidade alentejana. Do seu longo rol de iniciativas cabe destacar a celebra\u00e7\u00e3o de protocolos com institutos do Minist\u00e9rio da Cultura e com as C\u00e2maras Municipais; a conserva\u00e7\u00e3o de igrejas hist\u00f3ricas e o restauro dos seus tesouros art\u00edsticos; a organiza\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es em Portugal e no estrangeiro; a cria\u00e7\u00e3o da Rede de Museus da Diocese de Beja; a promo\u00e7\u00e3o de cursos e outras ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o; a edi\u00e7\u00e3o de estudos e document\u00e1rios; a entrada em funcionamento de percursos de visita; e a realiza\u00e7\u00e3o do Festival Terras sem Sombra de M\u00fasica Sacra do Baixo Alentejo, de que \u00e9 actualmente director-geral (a direc\u00e7\u00e3o art\u00edstica corresponde, desde 2010, a Paolo Pinamonti, professor da Universidade de Veneza e ex-director do Teatro Nacional de S\u00e3o Carlos, de Lisboa).<br \/>\nEste ingente esfor\u00e7o foi assinalado com v\u00e1rias distin\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais: Pr\u00e9mio APOM (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Museologia) (1989-1991), Pr\u00e9mio Prof. Reynaldo dos Santos (2001), Medalha de M\u00e9rito Cultural (Minist\u00e9rio da Cultura, 2004), Pr\u00e9mio Europa Nostra para a Salvaguarda do Patrim\u00f3nio Cultural (Uni\u00e3o Europeia, 2005), Pr\u00e9mio Vasco Vilalva de Salvaguarda do Patrim\u00f3nio (Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2008) e Pr\u00e9mio \u00c1rvore da Vida &#8211; Padre Manuel Antunes (Secretariado Nacional de Pastoral da Cultura, Confer\u00eancia Episcopal da Cultura, 2010).<br \/>\nA actividade como investigador tem incidido especialmente no patrim\u00f3nio art\u00edstico do Sul de Portugal, para cuja divulga\u00e7\u00e3o contribuiu com o comissariado de exposi\u00e7\u00f5es no pa\u00eds e no estrangeiro, como Entre o C\u00e9u e a Terra, As Formas do Esp\u00edrito ou No Caminho sob as Estrelas \u2013 Santiago e a Peregrina\u00e7\u00e3o a Compostela.<br \/>\nEnquanto docente, vem colaborando com a Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e outras institui\u00e7\u00f5es portuguesas, espanholas, brasileiras e norte-americanas na forma\u00e7\u00e3o de novos conservadores do patrim\u00f3nio religioso.<br \/>\nA sua bibliografia conta com cerca de uma centena de t\u00edtulos, a maioria dos quais dedicados \u00e0 hist\u00f3ria da arte e da arquitectura.<br \/>\nPioneiro no estudo da arte sacra do Alentejo, tem chamado a aten\u00e7\u00e3o dos especialistas e do grande p\u00fablico para a exist\u00eancia, em terras meridionais, de uma verdadeira civiliza\u00e7\u00e3o art\u00edstica, resultante do di\u00e1logo entre as viv\u00eancias caracter\u00edsticas do Atl\u00e2ntico e do Mediterr\u00e2neo. A isto acresceu, segundo o mesmo investigador, um confronto das ra\u00edzes europeias (crist\u00e3s, mas tamb\u00e9m judaicas e isl\u00e2micas), com as tradi\u00e7\u00f5es religiosas e culturais de outras \u00e1reas do antigo imp\u00e9rio portugu\u00eas \u2013 \u00c1frica, \u00cdndia, China, Jap\u00e3o, Brasil e Rio da Prata \u2013, que esteve na origem de s\u00ednteses de grande originalidade pl\u00e1stica. O estudo comparativo das manifesta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas dos centros difusores e das periferias no \u00e2mbito do patrim\u00f3nio alentejano representa outra das suas contribui\u00e7\u00f5es para a hist\u00f3ria da arte. A sua interven\u00e7\u00e3o dentro e fora das fronteiras de Portugal foi alvo, h\u00e1 alguns anos, de um louvor do Conselho Internacional dos Monumentos e S\u00edtios (ICOMOS) da UNESCO.<br \/>\n\u00c9 membro da Academia Nacional de Belas-Artes, da Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria, &#8220;acad\u00e9mico correspondiente&#8221; por Lisboa de la Reial Acad\u00e8mia Catalana de Belles Arts de Sant Jordi (Barcelona-Espanha) (1986),  e de agremia\u00e7\u00f5es similares da Europa e da Am\u00e9rica.<br \/>\nO seu curr\u00edculo conta com o desempenho, entre outras, das fun\u00e7\u00f5es de secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Nacional de Arte Sacra e do Patrim\u00f3nio Cultural, director-adjunto do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, presidente da Real Sociedade Arqueol\u00f3gica Lusitana e presidente da APAMOR &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Amigos dos Monumentos Religiosos.<br \/>\nActualmente preside \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Museus da Igreja Cat\u00f3lica e \u00e9 secret\u00e1rio-geral adjunto de Europ\u00e6 Thesauri, de que foi um dos membros fundadores. Colaborador regular do jornal Not\u00edcias de Beja e da revista Mais Alentejo, onde assina rubricas sobre arte e cultura. Com Edna Nobre, tem igualmente um programa semanal na Antena Mir\u00f3briga, intitulado Tudo tem uma Hist\u00f3ria, muito escutado no Alentejo e na Grande Lisboa.<br \/>\nEm reconhecimento pelos servi\u00e7os prestados ao pa\u00eds, o Presidente da Rep\u00fablica Portuguesa, Prof. An\u00edbal Cavaco Silva, atribuiu-lhe em 2009 as ins\u00edgnias de Grande-Oficial da Ordem do M\u00e9rito. O Munic\u00edpio de Santiago do Cac\u00e9m outorgou-lhe nesse mesmo ano a Medalha de M\u00e9rito pelos importantes contributos dados ao estudo do patrim\u00f3nio cultural do concelho. O rei Juan Carlos I fez-lhe entrega, no ano de 2011, da cruz da Orden Civil de Alfonso X, el Sabio, em sinal de agradecimento por servi\u00e7os prestados \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o da arte espanhola. \u00c9 s\u00f3cio honor\u00e1rio da Sociedade Arqueol\u00f3gica de Atenas (Gr\u00e9cia).<\/p>\n<p>Bibliografia seleccionada<br \/>\n. &#8220;As Vozes do Sil\u00eancio. Imagin\u00e1ria Barroca da Diocese de Beja&#8221;, Beja \u2013 Lisboa, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico \u2013 Estar Editora, 1997.<br \/>\n. &#8220;Rosa Mystica \u2013 Mariendarstellungen aus dem S\u00fcdlichen Portugal&#8221;, Regensburg, Schnell und Steiner, 1999 (em colab.).<br \/>\n. &#8220;Entre o C\u00e9u e a Terra. Arte Sacra da Diocese de Beja, I-III&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 1998.<br \/>\n. &#8220;O Alto-Relevo de Santiago combatendo os Mouros da Igreja Matriz de Santiago do Cac\u00e9m&#8221;, Beja \u2013 Santiago do Cac\u00e9m, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja \u2013 C\u00e2mara Municipal de Santiago do Cac\u00e9m, 2001 (em col.).<br \/>\n. &#8220;As Formas do Esp\u00edrito. Arte Sacra da Diocese de Beja, I-III&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2004.<br \/>\n. &#8220;Fragmentos de Eternidade. Imagens da Virgem na Arte dos S\u00e9culos XVI-XIX&#8221;, Alpiar\u00e7a, Casa dos Patudos \u2013 Museu de Alpiar\u00e7a, 2004.<br \/>\n. &#8220;O Jardim das Hesp\u00e9rides. Pintura Espanhola do S\u00e9culo XIX na Colec\u00e7\u00e3o da Casa dos Patudos&#8221;, Alpiar\u00e7a, Casa dos Patudos \u2013 Museu de Alpiar\u00e7a, 2005.<br \/>\n. &#8220;Vis\u00f5es do Invis\u00edvel \u2013 Patrim\u00f3nio Religioso da Margem Esquerda do Guadiana, Beja&#8221;, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2005.<br \/>\n. &#8220;A a Z \u2013 Arte Sacra da Diocese de Beja&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2006.<br \/>\n. &#8220;Filhos do Sol, Filhos da Lua. Aspectos da Cria\u00e7\u00e3o de Gado Bovino e da Tauromaquia na Casa dos Patudos&#8221;, Alpiar\u00e7a, Casa dos Patudos \u2013 Museu de Alpiar\u00e7a, 2006.<br \/>\n. &#8220;Os Corpos e as Almas. Obras de Jos\u00e9 Malhoa na Colec\u00e7\u00e3o da Casa dos Patudos&#8221;, Alpiar\u00e7a, Casa dos Patudos \u2013 Museu de Alpiar\u00e7a, 2006.<br \/>\n. &#8220;XIX S\u00e9culo XX. Momentos da Pintura Portuguesa na Casa dos Patudos&#8221;, Alpiar\u00e7a, Casa dos Patudos \u2013 Museu de Alpiar\u00e7a, 2007.<br \/>\n. &#8220;Un R\u00edo de Agua Pura. Arte Sacro del Sur de Portugal&#8221;, Borja \u2013 Beja, Centro de Estudios Borjanos, Instituci\u00f3n \u201cFernando El Cat\u00f3lico\u201d \u2013 Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2008.<br \/>\n. &#8220;O Cora\u00e7\u00e3o da Terra. Aspectos da Ruralidade na Arte Europeia (S\u00e9culos XVII-XX)&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2008.<br \/>\n. &#8220;Atmosferas, Pessoas, Narrativas. Um Relance sobre a Arte do Ocidente (S\u00e9culos XVII-XX)&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2009.<br \/>\n. &#8220;Imagens Eloquentes. Arte Europeia dos S\u00e9culos XVIII-XX&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2010.<br \/>\n. &#8220;Loci Iacobi &#8211; Lugares de Santiago, Lieux de Saint Jacques&#8221;, Beja, Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja, 2011. <\/p>\n<p>Vegeu catal\u00e0 \/ Ver castellano \/ Spanish view<\/p>\n","protected":false},"template":"","rang":[144],"class_list":["post-31935","academic","type-academic","status-publish","hentry","rang-academics-corresponents"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.racba.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/academic\/31935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.racba.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/academic"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.racba.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/academic"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.racba.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"rang","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.racba.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/rang?post=31935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}